Interestice

 

In life what is not life is interesting.

In death what is not death is interesting.

In art what is not art is interesting.

In science what is not science is interesting.

In prose what is not prose is interesting.

In poetry what is not poetry is interesting.

In stone what is not stone is interesting.

In flesh what is not flesh is interesting.

In spirit what is not spirit is interesting.

In history what is not history is interesting.

In nature what is not nature is interesting.

In sex what is not sex is interesting.

(: love that, in part, can be abominable)

In man what is not man is interesting.

In woman what is not woman is interesting.

In beast what is not beast is interesting.

In architecture what is not architecture is interesting.

In beauty what is not beauty is interesting.

In Joyce what is not Joyce is interesting.

In concretism what is not concretism is interesting.

In structure what is not structure is interesting.

In linguistics what is not linguistics is interesting.

In everything what is not everything is interesting.

In language what is not language is interesting.

In nothing what is not nothing is interesting.



 Décio Pignatari / Gringo Carioca

 

*Publicado em Zunái: Revista de Poesia e Debates
Vol. 1 No. 2 (Dezembro 2013)

ISSN 1983-2621

http://zunai.com.br

 


Interessere


Na vida interessa o que não é vida

Na morte interessa o que não é morte

Na arte interessa o que não é arte

Na ciência interessa o que não é ciência

Na prosa interessa o que não é prosa

Na poesia interessa o que não é poesia

Na pedra interessa o que não é pedra

No corpo interessa o que não é corpo

Na alma interessa o que não é alma

Na história interessa o que não é história

Na natureza interessa o que não é natureza

No sexo interessa o que não é sexo            

(: o amor que, de resto, pode ser abominável)

No homem interessa o que não é homem

Na mulher interessa o que não é mulher

No animal interessa o que não é animal

Na arquitetura interessa o que não é arquitetura

Na flor interessa o que não é flor

Em Joyce interessa o que não é Joyce

No concretismo interessa o que não é concretismo

No paradigma interessa o que não é paradigma

No sintagma interessa o que não é sintagma

Em tudo interessa o que não é tudo

No signo interessa o que não é signo

Em nada interessa o que não é nada.


Décio Pignatari


 
 

 

gringocarioca.com

 

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